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Exoneração de Raul Tati reflecte fracasso da reconciliação da Igreja em Cabinda
2009-12-26 16:34:39
Cabinda - Após ter publicado o comunicado sobre a suspensão decretada sobre o padre Raul Tati, até então afecto a comunidade de Cristo Mbonde fica por desvendar as razões que determinaram o fracasso da reconciliação, iniciativa sugerida e trilhada longos dois anos.
Através de um lacónico comunicado da diocese de Cabinda assinado por D. Filomeno Vieira Dias limitava-se a confirmar a suspensão do ex vigário geral de Cabinda. Sem referir quando foi que deu entrada, o tal pedido submetido que despoletou este processo, uma nota, informava a aceitação da demissão «... devendo por conseguinte o Padre suspender de hora em diante o exercício do poder da ordem sacerdotal e livre das obrigações e direitos inerentes ao mesmo, incluindo a obrigação de residência canónica».

Raul Tati em carta endereçada aos colegas e familiares nesta quinta-feira 24 de Dezembro, é mais detalhado no historial que faz as razões que o levaram a colocar algumas condições ao seu regresso: a reconciliação. Contextualiza a 2007, altura em que lhe foi levantada a suspensão anteriormente imposta, juntamente com seis outros colegas. Na carta, a que tivemos acesso, o prelado fala das sugestões que fez e das iniciativas encetadas para que a reconciliação fosse bem-sucedida no seio da família diocesana. «Durante estes últimos dois anos o Bispo e eu dialogámos várias vezes sobre a minha situação e fui sempre claro em manifestar a minha inconformidade com o arrastar da situação da diocese sem qualquer horizonte de normalização» adianta.

Nas fracturantes condições de vida da diocese, sem a reconciliação que desejava, manifestou a sua recusa para a retomada imediata do ministério como se lhe estava a exigir, e exprimiu a sua determinação em abandonar o sacerdócio caso persistisse a situação, o que reportou a Ivan Dias, Cardeal Prefeito para a Congregação dos Povos, sem nunca obter reposta da Santa Sé.

«As coisas precipitaram-se nos últimos tempos quando o Bispo me comunica que o tempo estava expirado e que a Igreja já não podia esperar mais. Fez-me então saber por escrito que tinha decidido começar o processo da minha exoneração das obrigações da ordem. Diante dessa pressão, limitei-me a encorajá-lo a fazer o que tinha para fazer» escreve na mesma carta Raul Tati1.

PNN/A Neto
(c) PNN Portuguese News Network
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