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| Cabinda : FLEC defende condenação dos responsáveis da morte dos togoleses |
| 2010-02-16 13:20:20 |
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| Lisboa – Alexandre Tati Builo, vice-presidente da Frente de Libertação do Estado de Cabinda (FLEC) disse à PNN que a resistência cabindesa defende a condenação dos responsáveis da morte dos elementos da equipa togolesa a 08 de Janeiro em Cabinda. |
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«Sim, defendemos a condenação dos responsáveis da morte dos elementos da equipa togolesa», disse Alexandre Tati em entrevista telefónica à PNN. «Mas, com a máxima urgência é necessário que uma comissão internacional efectue um inquérito sério e independente sobre a operação, e defina primeiro se, na realidade, foi um acto criminoso ou de guerra», sublinhou.
«Desde o acontecimento do 08 de Janeiro, um dos pontos nunca apresentados, nem esclarecidos, quanto à lamentável morte dos nacionais togoleses, assim como dos feridos, é a natureza e origem das balas que os atingiram», afirmou Alexandre Tati defendendo que uma «análise balística não deve ser excluída para atribuir as verdadeiras responsabilidades, porque tudo é possível quando se nota o actual comportamento das FAA em Cabinda, desde a tentativa de sabotarem a trégua decretada pela FLEC durante a CAN até aos actos agora cometidos contra veículos civis interceptados na estrada de Massabi, cujos passageiros são despojados de seus bens e mercadorias. Tudo isto com o objectivo de incriminar a FLEC», acusa o vice-presidente do movimento.
Segundo Alexandre Tati a FLEC quer ser o mais transparente possível e quer disponibilizar todos os elementos necessários para provar as suas alegações. «Todas as partes implicadas, inclusive a CAF, devem seguir o mesmo exemplo, e a justiça deve determinar quem autorizou que a equipa togolesa a entrar por via terrestre num território em guerra».
«Perante a complexidade da questão, a resolução não se limita numa pura e simples condenação de Rodrigues Mingas ou de outro cabinda qualquer, defende o vice-presidente, dado que este tipo de acontecimentos será sempre inevitável enquanto houver descontentamento sociopolítico em Cabinda. A morte dos togoleses foi apenas uma das consequências do problema existente e que ninguém ignora que a origem remonta a 1885, quando Cabinda tornou-se num protectorado português em virtude do Tratado de Simulambuco acordado e assinado entre os representantes de Cabinda e de Portugal. Ora, devido à descolonização irresponsável de Portugal e o deixar andar da Comunidade Internacional, este problema arrastou-se até às actuais proporções. Eis, em análise lógica, a raiz do problema. É aqui onde se deve procurar pelo verdadeiro responsável desta situação. É lamentável e injusto que Portugal seja o único nome até aqui não citado na lista dos acusados», sublinha.
«Por outro lado, os nossos irmãos congoleses devem igualmente reflectir bem e exigir investigações independentes, pois merecem também descobrir a verdade do que realmente se passou antes de serem envolvidos em mentiras que irão pôr em causa a soberania e credibilidade internacional dos seus países e serem abarcados numa cumplicidade de crimes contra os Direitos Humanos» disse Alexandre Tati.
«Quanto à justiça, ela deve ser exercida em toda a imparcialidade tanto perante a morte dos togoleses como perante tantos massacres e a repressão de que os cabindas são diariamente vítimas. A FLEC insiste no diálogo político, nas negociações inclusivas e na solução pacífica do conflito em Cabinda na presença de observadores internacionais. Eis a chave, ou melhor, a pista de solução que podemos colocar nas mãos da Comunidade Internacional. Apenas esta via poderá trazer a paz duradoira que requer o desenvolvimento da sub-região e em geral da região africana», concluiu o vice-presidente da FLEC, Alexandre Tati. |
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